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Jornal DCI

15 de fevereiro

Após reestruturação, lojas de calçado começam a aplicar plano de expansão

São Paulo – Depois de dois anos extremamente difíceis para o varejo de calçados, o setor pode sentir um leve alento em 2017. Com a perspectiva, duas varejistas do ramo, o Grupo Afeet e a Viggo, iniciam planos agressivos de expansão, e esperam colher os frutos de reestruturações feitas anos antes.

De acordo com uma pesquisa da Kantar Wordpanel, encomendada pela Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), o setor registrou nos doze meses finalizados em outubro de 2016 uma queda de 16,5% em volume e de 15,4% em receita. A perspectiva é que o resultado do acumulado do ano passado feche em patamares similares.

“O setor tem sentido muito com a crise por alguns fatores: primeiro pela concorrência com os itens importados, que chegam aqui com um preço bem mais baixo; e segundo pelo fato do consumidor ter deixado de comprar alguns produtos para ficar exclusivamente nos itens de primeira necessidade”, diz o diretor de marketing e expansão da loja de calçados masculinos Viggo, Diogo Oliveira.

Para o sócio-diretor da consultoria ba}Stockler, Guilherme Siriani, outro fator que explica a forte retração é a diminuição tanto do volume quanto da frequência das compras. “O cliente não deixou de consumir, mas diminuiu o volume, a frequência e o tíquete médio”, afirma.

Apesar do resultado muito ruim visto pelo setor no ano passado, Oliveira sinaliza que a perspectiva para 2017 já é de uma leve melhora. “Acredito que o primeiro semestre ainda vai ser fraco, mas no segundo já devemos ver uma retomada. Em 2018 já acho que devemos ter um ano bom”, afirma.

O gerente de expansão do Grupo Afeet (que engloba as lojas Authentic Feet, Artwalk, Magic Feet e Tennis Express), Rodrigo Faria, também aponta para uma perspectiva mais positiva daqui para frente. “Esse ano ainda vai ser difícil para o setor, mas já vemos que na linha do tempo isso vai sendo contornado”, ressalta.

Planos de expansão

As duas companhias apresentaram no ano passado retração no faturamento, em termos reais (considerando a inflação). A primeira retraiu cerca de 2,3%, na comparação com 2015, enquanto a segunda viu um recuo de 1,3%. Apesar dos resultados fracos, ambas entraram em 2017 com planos agressivos de expansão.

Trabalhando por meio de franquias, o Grupo Afeet, planeja abrir este ano 40 novas operações, e até 2020 a empresa espera fechar com um total de 400 unidades. Atualmente, o grupo conta com 187 lojas – após registrar o fechamento de 16 operações no ano passado.

“De 2013 até o final de 2016 a empresa fechou as portas de expansão, e trabalhou na reestruturação das marcas. Decidimos retomar este ano porque consideramos que os projetos já estavam finalizados e que já havia uma perspectiva melhor para o setor”, afirma Faria.

O executivo conta que para atingir a meta a companhia focará principalmente nas regiões nordeste e sul do Brasil. “São regiões com um potencial de mercado muito grande e que temos pouca cobertura. Existem pontos estratégicos em São Paulo e no Rio de Janeiro que precisamos entrar também, mas em termos de volume essas duas regiões serão prioritárias”, diz.

Outro fator que deve contribuir para a expansão da rede, na visão de Faria, é o fato das condições comerciais dos shoppings estarem melhores. “Com a crise as negociações estão bem mais fáceis. Os shoppings precisam de marcas já consolidadas, que atraiam o público e eles estão procurando por nós”, afirma.

A Viggo, que possui hoje seis operações (todas na região nordeste do País), deve fazer o caminho oposto do Grupo Afeet e planeja focar sua expansão principalmente na região sudeste. Para este ano o plano é abrir cinco unidades e até 2020 outras nove operações. A empresa, que atuava apenas por lojas próprias, adotará o sistema de franquias na expansão da rede e também focará as aberturas em centros comerciais. “As primeiras vamos focar nos shoppings até para dar uma visibilidade maior para a marca”, afirma Oliveira.

De acordo com ele, a companhia passou por uma reestruturação interna nos anos anteriores à crise, o que contribuiu para que a varejista conseguisse passar de forma satisfatória pelos anos de recessão. “Nos anos anteriores à crise modificamos a gestão, fizemos toda uma reestruturação interna e começamos a trabalhar bem enxutos com os custos”, explica o executivo, que acrescenta que outra estratégia da empresa tem sido o treinamento dos vendedores.

 

 

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